NOS BOXES / CONHEÇA A EQUIPE / FRANK WILLIAMS

FRANK WILLIAMS

DIRETOR DA EQUIPE


Frank Williams iniciou suas experiências esportivas internacionais com o rúgbi, quando representou os Scottish Schoolboy U15s, mas a bola oval foi apenas uma etapa intermediária de seu percurso que, em última instância, lhe deu os fundamentos básicos para se tornar um dos nomes de maior sucesso na história da Fórmula 1. Desde criança, depois de entrar no Jaguar XK150S de um amigo, que era o carro esportivo mais moderno e cobiçado na época, Frank, nascido na Escócia e educado na Scottish Borders, se tornou fanático por corridas de carros, fascinado pela velocidade.

Depois de completar seus estudos, Frank começou a trabalhar ganhando £10 por semana como aprendiz de um representante de vendas das sopas Campbell. Apesar das promessas para o futuro, seu emprego e sua paixão pelas corridas não eram compatíveis, e logo ele teve que fazer uma escolha - infelizmente para quem gosta de sopa, eles tiveram que se virar sem Frank Williams.

Como piloto amador, Frank participou, com diferentes resultados, em eventos de corridas em todo o país. Em um desses eventos, em Mallory Park, Leicestershire, conheceu o piloto Jonathan Williams que, mais tarde, veio a ser de importância crucial, pois apresentou Frank a muitas personalidades importantes do setor de corridas automotivas. Anos mais tarde, quando Jonathan foi visitar Frank no trailer da equipe durante o Grande Prêmio de Mônaco, relembrou: “Ele nunca se esquece dos velhos tempos, o que é incrível. Ele chamou Damon Hill e disse ‘Damon, este é o Jonathan. Eu era seu mecânico!’ Era totalmente mentira. Ele era demais – você tinha sorte se ele entrasse no carro do lado certo!”

Conscientizando-se de que seus talentos eram mais adequados para a parte administrativa do esporte, Frank decidiu com determinação que assumiria a difícil tarefa de dirigir sua própria equipe de Fórmula 2. Durante os dois anos seguintes, começou, aos poucos, a ganhar a experiência e a fazer os contatos que lhe seriam necessários. Em 1977, junto com um jovem engenheiro muito promissor, Patrick Head, formou a Williams Grand Prix Engineering.

A sede da equipe fica em Didcot. A determinação infinita de Frank de trazer sucesso à equipe foi recompensada quando obteve da empresa aérea Saudia - do reino da Arábia Saudita - os recursos financeiros necessários para a nova equipe de Fórmula 1. Essa injeção de capital foi vital para a equipe e uma oportunidade que não se perdeu nas mãos de Frank quando os executivos da Saudia vieram para o lançamento na FW06. Ansioso para que tudo corresse conforme planejado, Frank reuniu a imprensa nesse dia e, com um sorriso aberto no rosto enquanto o helicóptero dos VIPs aterrissava, disse aos repórteres “Não me deixem na mão, pessoal!” Com o respeito que recebeu da imprensa do setor, o evento teve imenso sucesso. Na verdade, naquela época, a vontade e entusiasmo de Frank foram cruciais para superar as diversas dificuldades encontradas no caminho. Ross Brawn, que se juntou à equipe logo no começo e continuou seu sucesso na Benetton e Ferrari recorda: “Às vezes, quando tudo parecia estar prestes a desmoronar, Frank dava o máximo de si - tinha uma energia e motivação espetaculares.”

Não demorou muito para que todo esse trabalho e dedicação produzissem resultados: a Williams se tornou a equipe de mais sucesso de Fórmula 1 na década de 80, com inúmeros títulos mundiais de pilotos e construtoras. Embora totalmente concentrado em corridas automotivas, Frank sempre teve um fascínio pela aviação e sempre manteve um diário de todos os vôos que realizou. Esse diário lhe causou problemas quando um jornalista amistoso pediu para dar uma olhada nele, durante um período em que circulavam rumores de que Frank estava para fechar negociação com a Honda. Frank não teve problema em deixar o jornalista ver o diário, mas não ficou muito contente quando este observou que ele tinha feito muitos vôos a Tóquio. Mas Frank não se preocupou com o fato de que tinha sido "pego". De fato, apesar de todo o seu foco e intensidade, ele tem um ótimo senso de humor, como lembra o irlandês Derek Daly, piloto da equipe em 1982: “Quando eu trabalhava para ele, era fácil notar seu senso de humor. Frank não gostava de sentar e conversar, mas não era difícil fazê-lo dar gargalhadas, daí ele parava e voltava a trabalhar.”

Embora tenha sofrido um acidente grave em 1986 que o deixou preso a uma cadeira de rodas, a energia e determinação de Frank nunca diminuiu. Ele transformou a equipe em uma das empresas privadas mais admiradas do Reino Unido, e recebeu o título de Cavaleiro na lista de menções honrosas de Ano Novo, em 1999. Também recebeu o Award for Export (1981 e 1994) da Rainha e foi um dos poucos estrangeiros a receber o título da Legion d’Honneur da França.

A paixão por corridas faz com que Frank permaneça na fábrica da equipe muitas horas depois de todos terem saído; mas quando volta para casa na região rural de Berkshire, onde mora com sua esposa e três filhos, passa muitas noites absorto em documentários históricos na TV. Nesse esporte em que as forças políticas e comerciais desempenham papéis cada vez maiores, o entusiasmo e a paixão de Frank Williams asseguram que a Williams F1 nunca perca de vista os valores básicos e os princípios de esporte das corridas do Grande Prêmio.

Em 2008, Frank registrará sua 600ª corrida como participante da Fórmula 1 e seu 39º ano desde que entrou nesse esporte, superando até mesmo o histórico do legendário Enzo Ferrari.